15/09/2026

Jornalista tem que saber o que fala: Gabriel Valladares trata das regras do Direito Internacional Humanitário e suas diferentes aplicações

Por Catarina Marines | Foto: Arquivo CICV

Os 50 alunos selecionados para o curso “Jornalismo em Guerra e Violência Armada”, módulo do projeto Repórter do Futuro, participaram, no sábado (11), do primeiro encontro da formação, realizada há 25 anos por meio da parceria entre a OBORÉ e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Nessa edição, a aula inaugural foi conduzida pelo coordenador do Departamento Jurídico e de Política e Diplomacia Humanitária do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Gabriel Valladares.

Valladares é formado em Direito pela Faculdade de Direito e Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, na Argentina. Em sua palestra, ele fez uma introdução sobre o Direito ao Internacional Humanitário (DIH) e suas aplicações.

Os objetivos principais do DIH incluem proteger as vítimas de conflitos armados e regular as hostilidades com base no equilíbrio entre a necessidade militar e as considerações humanitárias ou de humanidade. Valladares também apresentou um panorama histórico do DIH e mostrou que, embora sua consolidação jurídica ocorra a partir do século XIX, a preocupação em limitar a violência dos conflitos existe desde as sociedades antigas. “A humanidade sempre tem tentado, de uma forma ou de outra, levar medidas, normas, princípios, para tentar proteger a vida, a integridade física e a dignidade daquelas pessoas que não participam ou que deixam de participar dos conflitos”, afirmou.

Também foram apresentadas definições dos dois tipos de conflitos armados: o internacional e o não internacional. Para além do cuidado com termos técnicos, que aparecem inevitavelmente em uma cobertura humanitária, Valladares chamou atenção para a precisão na escolha das palavras e falou sobre como uma interpretação equivocada pode distorcer um acontecimento. Para ele, o repórter precisa compreender o contexto e as normas que regem um conflito antes de definir como um episódio será apresentado ao público. Em uma cobertura de guerra, portanto, a escolha das palavras pode alterar o sentido de uma informação e atribuir responsabilidades ou intenções que precisam ser devidamente apuradas.

No âmbito do Direito Internacional Humanitário (DIH), o jornalista pode desempenhar diferentes papéis durante um conflito armado internacional. O correspondente de guerra, por exemplo, pode ser um profissional que atua em apoio às Forças Armadas, um militar de uma das partes envolvidas no conflito, alguém que utiliza uniforme, insígnias e equipamentos militares, ou ainda um jornalista devidamente autorizado a acompanhar uma força armada. É importante destacar que, na condição de civis, os jornalistas gozam da proteção assegurada pelo DIH.

Na entrevista coletiva logo após a palestra, Gabriel Valladares respondeu a diversas perguntas sobre as temáticas comentadas por ele na aula, além de casos reais relacionados ao DIH.

O jornalista Aldo Quiroga, coordenador pedagógico do módulo, encerrou o encontro destacando os desafios do jornalismo em meio à revolução comunicacional impulsionada pelo “boom” da Inteligência Artificial generativa. Ele ressaltou que, embora a IA possa apoiar o trabalho da redação como na decupagem de entrevistas, a construção do texto jornalístico é prerrogativa de jornalista e, como tal, deve ser por ele escrito e aprimorado.

O próximo encontro do curso será no sábado, 19 de setembro, com o chefe do Programa com Forças Policiais e de Segurança da Delegação Regional do CICV, Edmar Martins, que vai tratar sobre as normas internacionais aplicáveis à função policial no uso da força e de armas de fogo. A assessora de Comunicação do CICV, Fabíola Góis, vai falar sobre os impactos da informação prejudicial (informação falsa, desinformação, etc) nas populações afetadas em um conflito armado ou vioência armada.

Para saber mais

Mais de 800 estudantes já participaram do curso Jornalismo de Guerra e Violência Armada, aprofundando seus conhecimentos sobre as consequências humanitárias dos conflitos armados e da violência armada, os desafios da cobertura jornalística nesses contextos e a atuação humanitária do CICV no Brasil e no mundo.

Por meio de cursos, seminários e palestras, o CICV busca ampliar o conhecimento e o respeito às normas internacionais que regulam a condução de hostilidades. As iniciativas também apresentam sua atuação humanitária, pautada pelos princípios de neutralidade, imparcialidade e independência, junto às populações afetadas por conflitos armados e outras situações de violência.

Programação da 25ª edição: próximas atividades

19/09 – Encontro 2: Normas internacionais aplicáveis à função policial no uso da força e de armas de fogo – Edmar Martins, chefe do Programa com Forças Policiais e de Segurança da Delegação Regional do CICV + Os impactos da informação prejudicial nas populações afetadas – Fabíola Góis, assessora de Comunicação do CICV.

03/10 – Encontro 3: Jornalistas em área de conflito armado: como realizar uma cobertura centrada nas pessoas – Pedro Borges (Alma Preta) e Adriana Carranca (Yale University).

10/10 – Encontro 4: A atuação dos porta-vozes do CICV em áreas de conflito armado e os desafios da comunicação nesses contextos – Patrick Griffiths, porta-voz do CICV em Israel e Territórios Ocupados (haverá tradução simultânea).

17/10 - Encontro 5: Sessão de avaliação e encerramento – equipes do CICV e OBORÉ.

Mais informações

CICV Brasília | Fabíola Góis (61) 61 98248-7600 | [email protected]

OBORÉ | Cristina Cavalcanti | (11) 2847-4567, WhatsApp: (11) 99320-0068

Email: [email protected]

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