01/10/2022

Elaíze Farias, uma das fundadoras da Agência Amazônia Real, recebe Prêmio Vladimir Herzog Especial 2022 em cerimônia no próximo dia 25 de outubro, em São Paulo

“Vivemos na Amazônia, sobretudo neste momento, uma grande destruição ecológica e humana. Isso acontece em troca de alcançar um ‘desenvolvimento’ baseado no modelo econômico neocolonial que se mantém até hoje. Um ideal de desenvolvimento que aprofunda as desigualdades, exclui vários grupos sociais, como os povos tradicionais e indígenas, e causa violação dos direitos, violências e assassinatos, por exemplo”, afirma Elaíze Farias, cofundadora da agência Amazônia Real.

Neste ano, a jornalista recebe o Prêmio Vladimir Herzog Especial pela destacada trajetória no jornalismo defensor das causas amazônicas e nas quais o Amazônia Real é o maior porta-voz. Fundada em 2013, a Amazônia Real é pioneira em jornalismo independente e investigativo na região Norte. A agência tornou-se referência em grandes históricas na Amazônia, envolvendo conflitos sociais, invasões territoriais, exploração madeireira, entre outras pautas, e tem inspirado outras iniciativas tanto na região amazônico quanto na mídia nacional.

Diante deste cenário, assumir postura neutra, para Elaíze Farias, é se omitir ou ser cúmplice da destruição. A jornalista acredita que “manter o distanciamento” dos personagens das histórias contadas não cabe mais nos dias de hoje. Essa postura, contudo, não se trata de parcialidade na opinião de Elaíze, mas assumir a missão de “abrir portas para grupos excluídos e refletir sobre o lugar histórico que ocupamos como jornalistas".

“São pessoas e grupos sociais que não encontram, muitas vezes, espaços na mídia local e nacional, seja por desinteresse do jornalista ou por pressão do poder econômico e político, que é muito forte na nossa região”, afirma.
Apesar de reconhecer a importância dos conceitos, manuais e metodologias do "jornalismo dogmático”, como ela denomina as práticas da mídia tradicional, é necessário tomar “uma posição firme e comprometida em defesa dos direitos humanos e territoriais e as populações que sofrem com a desigualdade nas coberturas da mídia''. Para ela, romper com os conceitos e paradigmas ocidentais e coloniais são condições necessárias no jornalismo atual.

Sobre a homenageada

Elaíze Farias é cofundadora da Agência Amazônia Real e editora de conteúdo. É referência em reportagens sobre povos originários, populações tradicionais, denúncias de violações de direitos territoriais e direitos humanos, violências socioambientais e impactos de grandes obras na natureza e nas populações amazônicas. Entre as premiações recebidas, está o Prêmio Imprensa Embratel. Em 2022, foi homenageada no 16º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), junto com Kátia Brasil, também fundadora da Amazônia Real. É jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Sobre a premiação

A cerimônia solene do 44º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos será no dia 25 de outubro, terça-feira, das 20h às 21h30, no Tucarena, em São Paulo.

As jornalistas Kátia Brasil e Elaíze Farias, criadoras do Amazônia Real, e o médico infectologista Dráuzio Varella recebem o troféu símbolo do Prêmio – a meia lua recortada com a silhueta de Vlado Herzog, uma criação do jornalista, artista plástico e designer Elifas Andreato, falecido em março deste ano. O repórter britânico Dom Phillips será homenageado in memoriam. O Prêmio Contribuição ao Jornalismo será dedicado aos trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) pela resistência na defesa da comunicação pública.

O Prêmio Vladimir Herzog é promovido e organizado por uma comissão constituída pelas seguintes instituições: Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP); Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI); Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom); Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional); Ordem dos Advogados do Brasil - Secção São Paulo (OAB-SP), Periferia em Movimento e Instituto Vladimir Herzog (IVH).

Um arco de alianças formado pela Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), TV PUC, Canal Universitário de São Paulo (CNU), União Brasileira de Escritores (UBE) e OBORÉ atua como grupo de parceiros realizadores desta 44º edição.

SAIBA MAIS

44º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos | 2022

  • Sessão pública de julgamento e divulgação dos vencedores: 13 de outubro, das 14h às 17h, no Espaço Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas de SP. Transmissão ao vivo pelo Canal do YouTube do Prêmio e Facebook do SJSP
  • Solenidade de premiação: 25 de outubro, das 20h às 21h30, no Tucarena, com transmissão ao vivo pela TV PUC.

Mais informações em www.premiovladimirherzog.org

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